A.P.P.
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Provas de Caça Prática

Set./Out. de 2010

Classificações dos Perdigueiros nas 6 provas do calendário

       Exemplar      

Prop./Cond.

Partic.

CACT

EXC.

M. Bom

Vaidosa do Choupal

L. Fonseca

6

1

-

3

Briosa do Choupal

L. Fonseca

6

-

1

2

Vadio do Choupal

L. Fonseca

6

-

2

1

Classe

V. Mauricio

2

-

1

-


 

Explorando os resultados

       O calendário nacional de provas de caça prática, para cães de parar, cuja elaboração foi da responsabilidade da 3ª Comissão do Clube Português de Canicultura compreendeu seis provas, no total, cuja organização esteve a cargo dos seguintes clubes:

- O Clube Português do Epagneul Breton, organizou duas que decorreram em Vila do Bispo
- O Clube Português do Deutsch Korthal, organizou uma que decorreu em Ourique;
- A Associação do Perdigueiro Português organizou uma que decorreu na Companhia das Lezírias;
- O Clube Português do Braco Alemão, organizou duas que decorreram em Pegões.

Achamos interessante dar a conhecer alguns dados numéricos, resultantes destas provas.
O seu interesse ficará à consideração dos visitantes do nosso site mas permitimo-nos chamar a atenção para o valor percentual dos dados apresentados, os quais permitirão avaliar com mais verdade a situação actual do perdigueiro português.

Teremos forçosamente que começar por reparar que o universo da nossa raça em relação, nomeadamente ao braco alemão e ao epagneul breton, é abismal. Não erraremos muito, e se tal acontecer será certamente por defeito, se dissermos que, em todo o mundo, não se registarão nos livros de origens, um numero de PP que ultrapasse meio milhar, enquanto que no que respeita ao EB e ao BA, cada uma delas registará, certamente, mais de uma dezena de milhar.
Que cada um medite nas consequências que, só por si, este facto acarreta.

É por esta razão que entendemos chamar a atenção para a importância da relatividade dos dados percentuais pois só eles, para além dos valores absolutos, poderão traduzir, com verdade, a evolução da nossa raça, nos últimos tempos.

Depois destes considerandos passemos aos números.

Nestas seis provas do calendário participaram no total trinta e quatro (34) cães distribuídos da seguinte forma:      

Importados

Nascidos Portugal

Total

Braco alemão

13

8

21

Epagneul Breton

3

3

6

Perdigueiro Português

-

5

5

Braco Francês

2

-

2

 

Para uma perfeita compreensão dos números que se seguem é preciso referir que estamos a falar de alta competição e que estas provas são pelo seu regulamento exigentíssimas.    

Destes primeiros números ressalta de imediato a pequeníssima diferença existente entre a participação de EB(s) e PP(s).
Por um lado é surpreendente que uma raça como o EB, com um universo como aquele que já se referiu e com a fama que se lhe conhece, apresente apenas seis exemplares.
Por outro se tivermos em conta o número de exemplares PP(s) que em tempos passados, ainda recentes, participavam nestas provas, teremos de concluir que este número de cinco (5) implica uma significativa evolução.

Analisemos agora, prova a prova os resultados de cada raça em termos percentuais:

                                                                                                                

1ª Prova (CPEB)     11 de Setembro                                        

Inscritos

Classif. 

% Class.

Braco Alemão

17

4

23,52%

Epagneul Breton

4

1

25,00%

Perdigueiro Português

3

2

66,66%

Braco Francês

2

1

50,00%

2ª Prova (CPEB)     12 de Setembro                 

Inscritos

Classif. 

% Class.

Braco Alemão

17

6

35,30%

Epagneul Breton

4

0

0%

Perdigueiro Português

3

0

0%

Braco Francês

2

0

0%

Nota – a razão destas percentagens zero são conhecidas e prendem-se em grande parte com a ausência de perdizes no terreno de uma das séries.

3ª Prova ( CPDK)     18 de Setembro       
                           

Inscritos

Classif. 

% Class.

Braco Alemão

20

13

65,00%

Epagneul Breton

6

1

16,70%

Perdigueiro Português

3

2

66.60%

Braco Francês

1

0

0%

 

4ª Prova (APP)     19 de Setembro
              

Inscritos

Classif. 

% Class.

Braco Alemão

19

6

31.6%

Epagneul Breton

6

2

33.3%

Perdigueiro Português

3

2

66.6%

Braco Francês

1

1

100%

 

5ª Prova (CPBA)     25 de Setembro
                    

Inscritos

Classif. 

% Class.

Braco Alemão

18

9

50,00%

Epagneul Breton

5

3

60,00%

Perdigueiro Português

5

80,00%

Braco Francês

0

-

-

 

6ª Prova (CPBA)     26 de Setembro                                 

Inscritos

Classif. 

% Class.

Braco Alemão

18

12

66,70%

Epagneul Breton

6

0

0%

Perdigueiro Português

5

1

20,00%

Braco Francês

1

1

100%

Convém anotar que a participação dos perdigueiros portugueses passou de 3 para 5, nas duas últimas provas, pois o proprietário dos dois cães em causa aquando da realização das 4 primeiras provas encontrava-se envolvido na Final Nacional do Campeonato Nacional de St. Huberto.

Então o que podemos concluir destes valores percentuais?

Em três das seis provas efectuadas os PP(s)  foram os que obtiveram melhores percentagens de classificação, 1ª, 3ª e 5ª provas.
Na 4ª prova disputada os PP(s) só não obtém a melhor percentagem porque o único BF inscrito se classificou, o que corresponde a uma percentagem de 100%, com o significado que tal valor tem.
Por outro lado podemos ainda constatar que a qualificação mínima conseguida pelos perdigueiros foi de MB e a máxima, foi mesmo a máxima, Exc. 1º CACT, enquanto que, em duas das outras três raças, a classificação mínima baixou para B.

Poderemos ser acusados de divulgarmos apenas estes resultados relativos, ocultando os resultados absolutos, individuais, conseguidos por exemplares de outras raças, mas qualquer acusação desse tipo seria despropositada pois o objectivo deste trabalho tem por fim alertar para o potencial da nossa raça o que impõe comparações entre raças e não entre indivíduos.
Não queríamos deixar de referir que este conjunto de provas, forneceram indicações ao Sr. Seleccionador Nacional para constituição da Selecção Nacional que disputará o Campeonato do Mundo.
Continuamos a verificar que dos 4 cães efectivos seleccionados apenas um é nascido em Portugal.
Estamos cientes que esta situação continua a não traduzir devidamente o valor da canicultura nacional dos cães de parar, nem a capacidade dos criadores e treinadores nacionais que se preocupam em produzir trabalho com princípio, meio e fim.
Será imprescindível aumentar a exigência do número de exemplares nascidos em Portugal, nas representações nacionais, tendo como objectivo, a mais ou menos longo prazo, atingir os cem por cento.
Só nessa altura se respeitará quem, na verdade, trabalha com preocupações exclusivas de enaltecer e enobrecer as potencialidades nacionais e só com esta estratégia se poderá criar obrigatoriedade de desenvolver os “produtos nacionais”.

Não podemos terminar sem deixar de chamar a atenção para a necessidade de recuperar o processo de pré selecções, da responsabilidade dos clubes de raça, tendo em vista a constituição da Selecção Nacional.
É preciso prestigiar a tarefa dos clubes de raça.
É preciso obrigá-los a assumirem as suas responsabilidades sob pena de não fazer nenhum sentido a sua existência.
Este processo das pré selecções, além do mais, confere maior transparência ao desenrolar das provas do calendário nacional que antecedem o Campeonato do Mundo.
Indiscutível e imprescindível.

 

Luís Fonseca

 

 

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